O Retrato do Medo em Night in the Woods

quinta-feira, 25 out, 2018

Hallow Furlindos!

Nossa enquete de Halloween já acabou e eu estaria mentindo se dissesse que o resultado foi uma grande surpresa. Night in the Woods foi um jogo que mexeu com muita gente, dentro e fora da Fandom. Mas vocês já sabem disso, inúmeras reviews já recomendaram esse jogo e imagino que muitos dos que votaram já o zeraram, talvez até mais de uma vez.

O desafio então virou: “O que falar que já não foi dito?”
Sinceramente, acho que não sobrou nada. Mas de qualquer forma queria tentar dar o meu próprio ângulo para um aspecto bem halloweenesco do jogo: os medos dos nossos protagonistas.

ATENÇÃO PARA (pequenos) SPOILERS!

Possum Springs: O medo da mudança

Dando um pequeno recap para situar quem ainda não jogou, Night in the Woods acontece na pequena cidade de Possum Springs e tem como protagonista a gatinha Mae que acabou de abandonar a faculdade e voltar para a casa dos pais.

Mae espera voltar para a vida que ela deixou pra trás antes de sair, mas se surpreende ao perceber que *as coisas mudam*. Esse é um dos terrores que eu acredito ser mais proeminente na narrativa e foi o tema que mais me atingiu. Nossa protagonista tenta fugir da mudança brusca que é a rotina na faculdade, mas acaba descobrindo que as coisas que ela deixou para trás continuaram a mudar enquanto ela não estava olhando.

Ao se deparar com algumas lojas fechadas, Mae se recorda carinhosamente dos momentos triviais que ela passou nesses lugares. Nenhum deles era tão especial, mas é sempre estranho perder algo que pareceu sempre estar ali. O jogador, ao explorar a cidade, encontra resquícios das memórias e infância da protagonista, muitas vezes em estado de abandono.

A mudança em Possum Springs vai muito além do comércio. Durante o jogo, Mae pode passar tempo saindo com Greg, seu melhor amigo, ou Bea, sua amiga de infância, e fica bem claro nessas cenas que eles também, em graus diferentes, mudaram nesse período.

 

O grande desafio da protagonista em Night in the Woods, e o nosso, aqui no mundo real, é aceitar que as coisas mudam. Seus amigos param de fazer algumas coisas, as lojas fecham, as pessoas vão embora, e isso pode ser triste, mas é natural. Algumas coisas mudam e talvez esteja tudo bem com isso.

Os Terrores Sobrenaturais

Em contraste com o cenário realista do início do jogo, a segunda metade segue por uma rota mais sobrenatural, recontando muitos dos temas da vida cotidiana de Mae com uma ótima mais mística, contando inclusive com eldritch horrors e um grupo de cultistas.

Apesar dessa diferença e do estranhamento de algumas pessoas, é durante esse confronto com cultos e criaturas sobrenaturais que podemos observar o maior desenvolvimento tanto da protagonista quanto do seu grupo de amigos.

Os cultistas demonstram o mesmo medo de mudança que Mae demonstrara no início do jogo, claro que de forma bem mais intensa e exagerada. O Sky Cat trás uma sensação niilista de desimportância. No fim das contas, encarar frente a frente esses elementos é o que leva a nossa protagonista a enfrentar os sentimentos dentro de si.

A Luz no fim do túnel

Night in the Woods é um jogo que mexeu com muita gente, inclusive comigo. Eu posso tentar escrever uma tese inteira, mas acho que nunca vou conseguir fazer jus a todos os aspectos desse jogo que encantam pessoas diferentes de maneiras diferentes.

Para mim, o jogo é sobre superar alguns dos seus medos, aceitar a mudança das coisas e aceitar que as coisas não se resolvem num passe de mágica. Talvez você resolve um problema enorme, mas continue com uma porção de pequenos problemas…. e tudo bem! Vamos continuar celebrando cada vitória, grande ou pequena.

No fim de tudo, se agarre a qualquer coisa.



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